Débora Corigliano

Data de Publicação: 10/09/2014 02:48:39


9 setembro 2014
Por Débora Corigliano
Emociono-me, sempre que escrevo sobre meus filhos, minha vida como mãe e tenho certeza que falo em nome do meu marido também, fomos abençoados por ter filhos maravilhosos. Hoje afirmo que passaria tudo novamente para ter estes filhos tão especiais que chegaram em minha vida, me transformaram em mãe e me ensinam a cada fase. Hoje já sei um pouco, ser mãe de um rapaz com 25 anos e de uma jovem com 18. Às vezes tropeço aqui e ali, mas meus filhos me olham com tanto carinho e respeito… que supero qualquer falha da minha parte.
Bom, no texto anterior, eu contava que a Giovanna, então com quase dois anos, não havia me chamado de mãe e que isto me entristecia muito. Ela tinha um refluxo grave e em meio a tantas crises, precisamos interná-la no hospital, pois uma broncopneumonia a estava debilitando. Foram cinco dias internada, lembro-me que ela estava bem mal e era justamente na semana que antecedia o dia das mães. Eu ficava no hospital o dia todo, me cortava o coração vê-la com dificuldade para respirar. Queria muito ter o poder de transferir toda a dor e sofrimento que ela sentia para mim, mas não podia fazer isso, me restando apenas rezar e cuidar para que ela ficasse bem. No terceiro dia de internação, encontrei com uma amiga que muito preocupada, perguntou sobre o estado de saúde da Giovanna. Expliquei que ela não estava nada bem e ela pediu se podia levar ao hospital um amigo que fazia oração para os enfermos e que era da Igreja dela. Como católica cristã que sou, aceitei com muito carinho esta oferta e marcamos para que no sábado (véspera do dia das mães) esse rapaz fosse ao hospital para fazer uma oração.
Ele chegou muito objetivo e perguntou o que ela tinha, eu expliquei e ele ao pé da cama, abriu a bíblia e começou a ler e falar sobre o perdão. Por muito tempo ele falou sobre o ato de perdoar e ser perdoado. Eu bem em silêncio pensei… O que uma menina de 1 ano 9 meses precisa perdoar? Que oração é esta? Mesmo assim respeitei este momento e aproveite para pedir a Deus pela saúde de minha filha.
Depois da oração ele foi embora dizendo que havia recebido esta mensagem do perdão e que deveria ser dito neste momento. Eu havia pedido ao médico, que desse alta para a Giovanna, pois queria passar o dia das mães em casa, mas ele disse que o quadro dela não estava estável para alta e dificilmente sairíamos no domingo.
Passamos o final do sábado bem, naquela noite dormimos muito bem e a noite toda (primeira vez em 5 dias).
Pois bem, no domingo pela manhã, Giovanna amanheceu com um rostinho bem melhor, seus olhos estavam mais alegres e descansados. Quando o médico chegou e a examinou, ficou até surpreso e disse que ela estava muito melhor… que faria apenas mais um exame e se desse certo passaríamos o dia das mães em casa. Foram só mais algumas horas e para nossa alegria recebemos alta. E lembro-me do médico comentando que não sabia explicar esta melhora tão rápido de um dia para o outro.
Eu na hora não relacionei a melhora da Giovanna a oração daquele rapaz, pois a vontade de voltar para casa era tão grande… que tudo parecia festa.
Voltamos para casa e a cada dia a Giovanna melhorava, o refluxo foi desaparecendo, a respiração foi ficando normal e nem mais gripe ela pegava, estava muito saudável.
Uns 40 dias depois da saída do hospital, ela continuava a não me chamar de mamãe e eu continuava insistindo. Um dia estávamos na cozinha, eu lavando louça e ela no chão ao meu lado abrindo e fechando as portas dos armários e tirando todas as panelas do lugar, quando parou me olhou e disse: – Mamãe! Eu na hora não entendi e olhei para ela e perguntei o que ela havia dito, imediatamente ela com os olhos cheios de lágrimas disse novamente: Mamãe! Neste momento sentei no chão ao seu lado e fui abraçá-la. Ela num rompante de emoção começou a me abraçar e chorar gritando mamãe, mamãe, mamãe, por várias vezes. Eu chorando também… Tentei acamá-la dizendo que estava ali e que era a sua mamãe e que a amava muito. Ficamos ali alguns minutos abraçadas, chorando e ela repetindo ora baixinho, ora mais alto a palavra mamãe. Naquele momento me veio nitidamente à oração daquele rapaz do hospital, falando sobre o perdão. Eu não sei explicar direito qual era o sentimento da Giovanna naquele momento, mas senti que ela estava se libertando de algo e como não tenho o histórico do seu período gestacional, acredito que o ato de perdoar fazia parte desta libertação. Foi um momento lindo, ouvir minha filha me chamando de mamãe. Naquela tarde, ambas estavam meio que anestesiadas de tanta emoção. Não nos largamos, era nítida a vontade dela em ficar no meu colo e a minha de acolhê-la.
Depois deste episódio ela ficou 100% curada, o refluxo desapareceu, sua saúde ficou ótima e ela cresceu linda e saudável.
O tempo passou… meus dois filhos cresceram…e sempre que surge o assunto adoção…eu pergunto se eles me adotariam como mãe, se tivessem o poder de escolha…e brincadeiras a parte, ambos afirmam que sim. Sou uma mãe adotada e feliz!
Hoje me sinto realizada. Amo muito meus filhos e sinto também que ao longo desses anos cultivamos o que tem de mais importante no vínculo familiar: o amor!
Dedico esta história da vida real aos meus filhos e ao meu marido Vladimir.
Debora Corigliano é Psicopedagoga, atende crianças e adolescentes com dificuldades escolares e relacionamentos, orientação para pais e educadores. É autora do livro Orientando pais e educando filhos.
www.orientandopaiseducandofilhos.blogspot.com
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