Casal italiano que adotou duas meninas

Data de Publicação: 24/02/2014 15:55:15


Já passou um ano. Voou muito rápido. Quando olhamos para trás e pensamos no momento em que começou esta nossa história juntos, ainda nos deparamos sempre com uma emoção terna e explosiva ao mesmo tempo. Penso na F. e em como mudou nestes meses, em quantos progressos e quantos passos para trás, nos seus sorrisos tímidos e suas lágrimas, que quando chegam, parece te pedir resposta que não possuímos. Podemos apenas tentar lhe enxugar certas lágrimas. Mas por sorte, os sorrisos são mais numerosos. E T. com seus ritmos desenfreados, finalmente com suas asas ao vento, quando penso nos seus caprichos e muitas caretas do passado, parece outra menina.

Aquilo que sentimos ser a coisa mais difícil de afrontar é dever construir uma relação diferente com cada uma. Seus temperamentos assim diversos e seus modos diferentes de serem inseguras e de afrontar as dificuldades nos coloca frequentemente em discussão. Quando nos dedicamos a F. na tentativa de encorajá-la a afrontar um de seus medos ou uma novidade, e atingimos nosso objetivo, colhemos imediatamente nela a rapidez da felicidade e satisfação, parece caminhar a um metro da terra e seu relacionamento com a irmã muda, se mostra mais segura, mais alegre e também mais desavergonhada. Imediatamente, então, muda o humor de T., se acabana, procura carícias e confirmações de amor. Parecem ter um relacionamento simbiótico ao contrário.

A calma e timidez de F. encorajam as frenéticas atividades de T., e vice-versa, o entusiasmo e segurança de F. tiram a alegria de T. Quando não se encontram e não se reconhecem no seu papel de sempre, perdem “aquele equilíbrio não equilibrado” que é o relacionamento de irmãs delas. E nós como ficamos? Ainda nos perguntamos como fizemos; estamos no carro e as olhamos sentadas atrás, adormecidas, e sorrimos em silêncio: são nossas. Temos uma fome enorme de viver com elas todas as mais belas experiências, fazemos contínuos projetos, organizamos férias, queremos que os dias não se acabassem jamais. Sim, estamos cansados, cansadíssimos. Foi um ano completo também de cansaço.

Mas olhar os resultados nos ajuda tanto a superá-lo, este cansaço. Foi um ano extraordinário em todos os sentidos. Estamos nos reinventando como casal, perdemos algo pelo caminho, procuramos reencontrar o espaço para recuperar, às vezes nos enrolamos, tentamos nos reapropriar daquele tempo para bater um papo, para não falar apenas delas... o trabalho também às vezes ajuda surpreendentemente. Nos obriga a nos concentrarmos sobre outras coisas, por que a mente parece conhecer um só pensamento, a atenção parece ter somente uma direção. Estamos completamente absorvidos por estas nossas filhas. É tudo muito empenhativo, mas apaixonante. Nunca nos ocorre um pensamento de pesar pelo tempo que se foi.

(M. C. e D'Angelis).