ADOÇÃO... UM ATO DE AMOR!

Vitória na Adoção:

A adoção, quando realizada pelo casal, deve ser desejada por ambos na mesma intensidade. Dessa forma, não se deve tirar a oportunidade de criança ser adotada, principalmente por pessoas que a desejem por completo, dando-lhe afeto de pais e de mãe.

No caso de o casal já possuir filhos, estes devem ser consultados, pois é importante que também sintam o desejo de um novo companheiro no meio familiar. A criança ou o adolescente tem que se desejada com a mesma intensidade por todos, sem o que, não será feliz. O enfoque da adoção deve ser sempre o da afetividade que a criança precisa receber do pai, da mãe e dos irmãos.

Não faça da adoção uma maneira de solucionar problemas conjugais. Adoção não salva casamento, pois se assim o fosse, não existiriam tantos filhos biológicos de casais separados. O casal tem que ter consciência de que suas relações estão equilibradas e harmônicas.

Anterior ao ato da adoção, deve-se refletir muito a respectivo pois a conclusão sincera desse ato pode determinar a felicidade do filho a ser adotado ou sua infelicidade e seus indesejados desdobramentos.

A adoção não deve ser feita quando, para o casal, a esterilidade comanda enfaticamente a decisão de adotar, ou seja, o que importa é a conquista da realização procriativa.

A ausência de filho produz nas pessoas um sentimento de incompletude, de vazia existencial e elas pensam na adoção como forma de construir a unidade Ética que viria preencher este vazio, trazendo-lhes completude. Essa não pode ser a ênfase na decisão, porque, mais uma vez, se está tomando o filho como veículo e não como uma pessoa, com seu espaço próprio de vida. A adoção não deve ser feita sem que se supere este sentimento.




Por diversos motivos, como separação, viuvez ou perda etc., algumas pessoas, sentindo-se sozinhas, procuram encontrar companhia em um filho. Com certeza este caminho a levará a frustação. Conseguirão companhia por algum tempo, ou seja, enquanto a dependência da criança for acentuada. Porém, na medida em que a criança ou adolescente se desenvolve, conquistando sua autonomia, o sonho da companhia, desfaz-se.

A única forma de encontrar no filho um companheiro é criar condição para que ele se sinta valorizado como pessoa que, seguramente, vai levá-lo a mergulhar numa estável relação de afeto.

Em nossa cultura, atribui-se diferença e discriminação, pelo grupo social àqueles que não podem gerar seus próprios filhos. Geralmente entre os parentes e amigos, a pessoa é pressionada intensamente para ter filhos. Na necessidade de neutralizar o desconforto, o sentimento de inferioridade e exterminar a angústia causada pela ausência de filhos, algumas pessoas procuram a adoção. Nestes casos, a adoção pode até encerrar as pressões, mas não vai trazer satisfação aos adotantes e felicidade ao adotado (criança ou adolescente).

Tentando preencher o “vazio” que causa a perda de um filho ou ente querido, algumas buscam um substituto. Projetam no filho adotado aquele que perderam. Isto acarreta geralmente oscilações acentuadas no processo de aceitação/rejeição do filho adotivo, porque ele, na verdade, não conseguirá substituir a ausência de outra pessoa. Por isso, é importante que, neste caso, as pessoas elaborem o luto e, depois disto, se questionem se querem ou não a adoção, alertando para o fato de que o filho que virá é outro ser, completamente diferente do que se foi. Sugere-se, inclusive, que seja do sexo oposto, para minimizar comparações inconscientes.

Na família com filhos adotivos é preciso que a criança ou adolescente atravesse a dor de não ter sido escolhida pela família biológica, o que costuma se refletir em maior vulnerabilidade aos sentimentos de rejeição e de baixa-autoestima. Assim como os pais adotivos precisarão atravessar a dor de não terem gerado aquela criança, todos precisarão enfrentar o ponto de interrogação das origens.

São várias as razões que levam alguém a almejar um filho. É importante ir mapeando essas motivações, colocando questões e ampliando possibilidades. Assim, a espera pela chegada de uma criança pode ser de reflexão quanto às características físicas que, algumas vezes, tornam-se preocupações excessivas. A diferença de cor da pele, do cabelo ou dos olhos, não impede o acolhimento, assim como a semelhança não garante a verdadeira aceitação.

Os laços de adoção se fazem por outros parâmetros, em especial, pela disponibilidade amorosa e pela conquista recíproca do amor entre a criança e família. As histórias de adoção são histórias: de busca, de encontros e de convites à construção amorosa, responsabilidade de todos os envolvidos, adotantes e adotados e de quem estiver em volta.

É importante fazer com que a criança sinta-se uma pessoa boa, querida e valorizada, independentemente da situação de abandono que sofreu. Mostrar a ela, por palavras, gestos, ações e atitudes, que pode ser querida por muitas pessoas. É essencial a construção do amor no dia-a-dia do convívio, que se faz com pequenos gestos, palavras e ações. Desde pequena, a criança pode aprender a respeitar e a ter consideração pelo outros, assim como a si mesma.

Sentir muita pena da criança adotada pode levar a caminhos de tentar “indenizá-la” com a atitude de fazer todas as suas vontades. Isso resulta em prepotência e tirania e não preenche verdadeiramente a lacuna do afeto.

Adotar uma criança com mais de 3 ou 4 anos de idade significa abrir seu coração e ser lar para um “filho da solidão”. A adoção precoce e tardia são fontes de realização familiar, por isso é preciso ter um coração aberto e uma mão estendida. Enquanto na primeira prevalece o coração; na outra, os braços abertos e protetores e firmes. É o dever se antepondo ao amor. Com preparo simples e adequado, a adoção de crianças maiores será bem sucedida.

Num período de aproximadamente dois anos, acontece uma espécie de “lua-de-mel” entre o filho adotado e os adotantes. O terreno é inicialmente sentido, um período de duras provas, como por exemplo, “vamos ver se o amor existe de verdade e quanto tempo irá aguentar”. Não se deve esquecer que a criança apronta, testa limites, verifica fronteiras. Com frequência faz tudo isso de modo ruidosamente desagradável, provocando repulsa, rejeição ou raiva a quem esteja por perto, intensificando o preconceito de que a criança adotada só traz problemas. Dependendo de como a família lida com essa etapa, o convívio pode desembocar no inferno ou no paraíso.

O filho adotivo não é uma “supercriança”, nem será um “super-homem”, é apenas um filho. É importante ressaltar que, quando a criança sente que sobre ela recai uma expectativa muito forte, poderá concluir que não há condições de “dar conta do recado” e reprimem-se ideias negativas com relação à adoção (“Será que será bonito ou feio?”, “Será que será perfeito?”, “E se surgir alguma tara quando ele for adolescente?”), os novos pais precisam ser seriamente contestadas para que a incerteza e o mesmo com relação à origem e às experiências passadas da criança não pesem mais do que a disponibilidade amorosa para acolher quem precisa de uma família para que possa crescer bem. Fundamentalmente, ao encarar a questão da incerteza, é muito importante refletir que a imprevisibilidade faz parte da própria essência humana, em qualquer tipo de organização familiar.

A disponibilidade de acolher crianças necessitadas, a firme disposição amorosa de superar obstáculos e a crença sincera de que é possível formar laços de amor e de lealdade fora da “voz de sangue” são atitudes essenciais para que a adoção seja bem sucedida.

As falsas expectativas, seja de um excessivo otimismo: “O que essa criança, que foi abandonada poderá querer de melhor do que ter uma casa e uma família que goste dela?”, “É claro que não teremos problemas!”), seja um pessimismo preconceituoso (“Criança adotada sempre dá problemas, é um inferno para a família”), prejudicam imensamente o processo de adaptação dessa adoção recíproca a ser feita entre a criança e a família. A escuta atenta à sensibilidade e a coragem de conversar abertamente sobre os sentimentos difíceis são requisitos básicos para uma boa comunicação familiar.