ADOÇÃO... UM ATO DE AMOR!

A Dúvida: Dizer ou Não Dizer?

É normal o adotante ter dúvida quanto à revelação da adoção para o adotado. Contudo, é importante ressaltar que a negação do direito de informação sobre a adoção remete à criança ou ao adolescente a sensação de que estão diante de um grande quebra-cabeça que não conseguem armar porque falta uma peça fundamental. Isso pode gerar problemas como: bloqueio da aprendizagem e inibição da curiosidade, baixo rendimento escolar e dificuldade em apreender determinadas matérias, em especial história e ciências, refletindo a proibição da investigação e da descoberta de dados essenciais sobre as origens de sua própria vida. As crianças, além de possuírem registros inconscientes de suas vivências mais precoces (inclusive da vida intrauterina), são suficientemente sensíveis para captar as contradições sutis e os climas emocionais que circulam no meio familiar. Portanto, a manutenção deste tipo de segredo é nociva a todos.

As conversas esclarecedoras sobre a adoção, assim como a sexualidade, é um processo a ser desdobrado no decorrer da infância e da adolescência em muitos momentos de comunicação e do encontro familiar. É impossível concentrar num único momento tudo o que precisa ser dito e ouvido.

O importante é criar um clima de liberdade para falar sobre temas como adoção e sexualidade e desenvolver uma escuta atenta para os sinais da criança, percebendo a maneira como ela expressa sua curiosidade ou inquietação. As respostas variarão, de acordo com a idade e o nível de compreensão da criança. Os familiares podem aproveitar fatos concretos do dia-a-dia para dar início à conversa sobre a adoção. Por exemplo: “A Mônica está com barriga bem grande, tem um neném crescendo lá dentro”.

Para a criança adotada, podemos acrescentar: “Algumas crianças nascem da barriga de outra mulher, que não vai ser a mãe”. Outras pessoas preferem contar a história da adoção a partir de mensagens de amor e de acolhimento enquanto a criança está dormindo, para se acostumarem a falar em voz alta e criarem coragem para conversar abertamente sobre o tema com a criança desperta.

Frequentar grupos de pais, compartilhando anseios, temores e dúvidas, pode ajudar os novos pais a se sentirem mais tranquilos e confiantes. A questão relevante é transmitir à criança que ser filho adotivo é ter sido escolhido para ser amado, é ser “filho do coração”, embora não tenha podido ser “filho da barriga”.